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“A verdadeira função sexual é algo que acontece entre duas pessoas. Para ser eficaz deve ser praticada conjuntamente. É algo que, nos casais sexualmente normais, os dois fazem um COM o outro, não A ou PARA o outro. Assim, o papel sexual da mulher descreveu uma curva de cento e oitenta graus – de serva sexual passou a igual, tudo isto nos últimos dez ou vinte anos. Só lhe resta explorar e desenvolver este potencial e ao companheiro participar de sua experiência. ”

Virginia E. Johnson e William H. Masters. St. Louis, Missouri, maio de 1974

 

Começo citando as palavras de dois nomes de peso e relevância inequívoca sobre o estudo da sexualidade humana, Masters e Johnson. Sabendo que outras personalidades históricas, inclinadas ao mesmo estudo, mereceriam ser citadas aqui.

 

As palavras acima são de causar perplexidade, pessoalmente admira-me que tenham sido escritas antes da década de 80, e maior perplexidade me causam por sabe-las tão atuais e relevantes em pleno século XXI.

Apesar de todo movimento em favor de maior liberdade sexual, especialmente a partir dos movimentos Power Flower e Feministas, as demandas comportamentais e culturais continuam as mesmas em grande escala.

O sexo continua servindo para funções sociais outras, em especial, para o Mercado ou para legitimar a insensibilidade brutal e estúpida de nossa sociedade patriarcal. Não se restringindo às lutas feministas, mas agravada por todo desrespeito e fobia em relação à diversidade sexual e de identidade de gênero.

 

A citação, antes de esclarecer qual seria a função sexual, aponta-nos que não poder-se-ia decifra-la sem que se alcançasse antes a equidade entre os pares afetivos. Ainda que não se possa determinar o que significa um “casal sexualmente normal”, o que poderia cair num novo dogma falacioso e preconceituoso, penso que seja muito válido a compreensão da necessidade de harmonia na dança erótica.

Baile que se dança COM o outro, não PARA ou A outro.

 

Infelizmente parece que o ente humano ainda está fora de ritmo e compasso, erra-se o passo, pisa-se no pé do outro. E, porque ainda não aprendemos a dançar, descobrir qual a função do sexo, parece-me enigma de difícil solução.

 

Responder tal questão apoiados simplesmente na função instintiva de continuidade da espécie é algo sobremodo reducionista. A Natureza dotou-nos com vigorosa libido, e certamente, as benesses e benfeitorias vitais e orgânicas do sexo, transcendem estes objetivos rasos.

 

Pensando ao revés, não creio que a função do sexo é a procriação, mas justamente o contrário: A reprodução é função do sexo, em outras palavras, é adendo biológico, quase acidente de percurso.

E as observações cientificas, iniciadas por Alfred Kinsey e aprofundadas por outros médicos, neurocirurgiões, psicólogos, etc. Dão-nos pistas de que a função sexual está para além da conservação de nossa espécie, antes, constrói e conserva nosso psiquismo, nossa identidade, nossa singularidade.

 

Servi-me da metáfora da DANÇA, e penso que ela seja perfeita, afinal, pensemos o que é a Dança?

Segundo o “pai dos burros”, trata-se de uma sequência de movimentos e passos rítmicos, executados geralmente ao som de uma música, por uma pessoa só ou parceiros.

 

E se me cabe alguma poesia, visto que também é arte e contém em si musicalidade e dança de signos, dançar é resguardar a unidade de força vital, expandindo-a, orientando-a, deixando-se conduzir pela alma, pelos sentimentos ou fazendo-se consciente dela. É arte de expressão, no sentido original de colocar para fora, novamente de expansão e de expressão.

 

E quem se expressa, quem faz pressão para fora, ocupa espaços, conhece limites, os próprios, os do outro e os do espaço, se coloca no corpo e no mundo, sincroniza-se com o outro, percebe-se a si mesmo, percebe o corpo do par, reconhece-se nele, deleita-se na música da libido e da paixão, disponibiliza o âmago para o mundo objetivo.

 

De fato, se olhássemos o desfrute erótico como arte, poesia, música, canção e dança, certamente a qualidade de nossas relações sexuais e afetivas, passariam por uma grande transformação, ou melhor, MUTAÇÃO.

A partir desta metamorfose, talvez não fosse imprescindível buscar-se uma função para o sexo. Assim como é um tanto insólito, exótico e risível, demandar-se um uso para a dança, para a poesia, para a música, e tantas outras formas de arte.

 

Até pode-se faze-lo, em favor de um significado sócio cultural, antropológico ou histórico, mas isto é olhar o cardápio, como quem analisa as especiarias e pratos tradicionais de uma certa cultura, mas não envereda em degusta-los.

 

Pode-se inclinar-se a estudar a obra de uma vida inteira de certo poeta, sem conhecer-lhe a musa e a inspiração. O que não torna o literato, poeta por vocação.
Da mesma forma o romantismo parece-me uma vitrine, por onde se mira a utopia da paixão, em absurda e absoluta segurança.

 

Mas é tarefa da alma decifrar, investigar, arriscar-se e viver esta Arte de Amar!

Por isto, penso que não exista de fato uma luta ou guerra intrínseca e inexorável à alma entre o Bem e o Mal, mas sim, um conflito instalado na alma e no seio da sociedade entre o BELO e o Mal!

 

Se existe uma função sexual, e até creio que exista, não penso que ela possa ser encontrada desconsiderando-se a subjetividade, a espiritualidade num sentido mais profundo e vasto do que a simples crença e fé cega.

Penso que em todos os sentidos, estou aqui para embelezar: Minha alma, minhas relações, o Mundo!

E penso mais, sinto mais, celebro mais, vibro mais e mais, com TODAS as formas de AMOR com sua beleza singular!

 

E já que consultei e compartilhei as definições de dicionário para a dança, acrescento mais algumas linhas para o sentido de FUNÇÃO:

Que é a ação NATURAL e própria de qualquer coisa. Encargo, serviço, tarefa, missão. Ainda guarda o sentido de solenidade, festejo, CELEBRAÇÃO. Por curiosidade sincrônica, função, também significa baile e DANÇA.

Correspondência entre dois ou mais conjuntos. O adjetivo, qualidade ou virtude, a ação de um SUJEITO.

E o VERBO se faz CARNE e habita dentro e entre NÓS!

Admiro-me por tanta BELEZA!

 

E ASSIM É!

Dancemos!

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