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A estória da criação cósmica segundo a visão tântrica shaiva-shakta

 

 

 

Esse texto se propõe a nos levar por uma jornada de reconhecimento da visão tântrica Shaiva-Shakta sobre a criação desse universo e de como a suprema consciência, que é a origem de tudo o que existe, Se contrai e Se manifesta como cada um de nós e tudo mais o que existe.

 

Começamos essa jornada imaginando Shiva-Shakti em perfeita unidade e plenitude, descansando no eterno estado de bem-aventurança e sabedoria, a suprema consciência com todo o Seu poder. Shiva olha para Shakti e reconhece nEla a Ti mesmo. Shakti, em seu sublime êxtase e infinito poder de criatividade, deseja criar algo dentro de Sua própria vastidão. Então, a Criação começa a se manifestar de Sua mente. Seu poder criativo é tamanho que apenas ao imaginar a Criação, todo o universo é manifestado. O universo se manifesta dentro da consciência divina Shiva-Shakti. Assim como uma ideia se forma dentro da nossa imaginação.

 

Trazendo isso para o auto-reconhecimento, você e eu replicamos esse processo sempre que criamos algo em nossa mente. Por exemplo, pare agora por um instante, feche seus olhos e imagine uma cadeira em sua mente. Você pode imaginá-la de qualquer maneira, uma cadeira de madeira, plástico, metal, pequena, grande, com qualquer formato. Agora, perceba de qual material essa cadeira é feita. Daí, você provavelmente responderá: de madeira, ou plástico, etc. Mas, a verdade é que essa cadeira é feita de partículas de energia da consciência, ela é feita de mente. Agora, se você tiver as habilidades e os recursos para construir essa cadeira, ela poderá se manifestar em matéria. 

 

Porém, o poder criativo de Shakti é tão supremo que Ela não precisa construir o universo tal qual nós precisamos construir uma cadeira no nosso nível de realidade. É como se a mente de Shakti fosse tão intrinsecamente criativa que Ela pode manifestar o universo simplesmente por imaginá-lo. Como está descrito no texto tântrico Pratyabhijna Hrdayam: “A Suprema consciência, Shakti, do Seu livre arbítrio, manifesta o universo na tela que é a Sua própria mente divina”. E, à medida que Shakti imagina esse universo, Ela literalmente o imita. Ela manifesta o universo a partir de Seu próprio Ser enquanto Ela permanece nesse Ser. Esse processo é chamado em sânscrito de virsaga, que significa emissão. A metáfora que é utilizada para entendermos esse processo de emissão é a da aranha que tece a sua teia a partir do seu próprio corpo.

 

Através do Seu poder de encobrimento, em sânscrito chamado, Maya, palavra que significa literalmente, medida, Shakti esconde a Sua vastidão, se comprimindo dentro de milhões e milhões de átomos de consciência. Nas palavras de Sally Kempton: “A vastidão da grande luz, que é inseparável de Si mesma, que é preenchida de potência, de amor e liberdade indestrutível, de repente, se torna um número infinito de almas/consciências contraídas. Então, o ilimitado se torna indivíduos limitados - como o meu guru costuma falar - chorando pelo medo da morte, sofrendo da ilusão de que o amor está fora e de que para ser feliz precisa adicionar algo a si, e vendo o mundo como algo duro, difícil e amedrontador na esperança de que o divino seja algo separado desse mundo”.     

 

Nesse processo, é dito que Shakti chora, talvez pela saudade de seu estado de completude ou talvez pelo êxtase dessa dança na qual Ela está entrando. E o Seu choro surge como o “om”, a grande vibração sonora que ressoa no universo como a pulsação energética primordial que se tornará o pulso da energia física e material. É como se o “om” fosse o big-bang sutil, o som a partir do qual o big-bang físico ocorre, e então, um infinito campo de energia e informação é criado, a partir do qual os planetas e toda a forma de vida vão se originar.

 

Esse laboratório sutil, “om”, continua a ressoar infinitamente na matéria, vibrando no espaço como o sutil “ham” que podemos detectar, presente nas ondas magnéticas, fundamentalmente pulsando dentro dos seres vivos como a força vital, o prana-shakti, no ritmo da respiração, que literalmente, inspira a vida dentro do nosso corpo, inspira a vida na superfície da Terra e cria os elementos do mundo sutil e físico.

 

Shakti transforma o Seu infinito poder criativo em uma forma um pouco menos sutil, que em sânscrito é chamado de prana ou força vital. Então, através do prana, Ela se torna o espaço, o ar/movimento, o aquecimento, a liquidez e a solidez - usando os termos ancestrais para os elementos – e Ela encobre a Si mesma dentro desses elementos da matéria. Ela se torna o espaço através do qual os planetas se movem, Ela se manifesta como o ar que forma a nossa atmosfera, como a solidez que estrutura nosso corpo físico. Nós vemos traços dEla na inteligência organizacional dentro das células. Então, Ela literalmente nos respira como a força vital, Ela dá vida aos nossos sentidos, projeta a Sua manufatura através dos nossos olhos, ouvidos e pela interpretação das nossas mentes. Ela coroa a nossa consciência com pensamentos e percepções e, dessa maneira, o Seu poder cósmico criativo está, constantemente, criando novas formas, expandindo em vida.

 

 

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