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A Interminável Busca Espiritual

January 21, 2016

 

Um dia acordei cansanda. Cansada de demandas, de afazeres, de preocupações, cansada de buscar. Já a este ponto, eu andava há muitos anos dedicada à espiritualidade, realizado anos de práticas, voltas incontáveis em meu colar de contas (japa mala), horas e mais horas sentada aplicada à prática da meditação, respirações, yoga, cerimônias tantas com ou sem plantas de poder, enfim, um acúmulo interminável de experiências espirituais.

 

Foi nesse momento que eu me encontrei cansada, cansada dessa busca sem fim. Levou-me muito cansaço, muito mal-humor, muito “ransismo” para chegar à conclusão: chega, não é por aqui que eu vou encontrar. E afinal, o que é que eu estou a buscar? Um diploma de conclusão à espiritualidade? Uma experiência ainda mais mística? Um novo profesor que irá levar-me àquele estado de consciência alterada? tititi tatata...

 

Chega, é isso mesmo, chega um ponto que já não dá mais para fugir, já não há mais para onde ir. Você já procurou em todos os cantos, já vasculhou cada terreiro e o que sobra, é só o Eu derradeiro, o velho amigo de sempre, a luz da consciência que nunca se apaga, a verdade que nunca nos escapa.

 

Chega um ponto que não dá mais para negar, aquilo que você sempre procurou está bem aqui a observar. É bem a sua essência, o seu ser mais íntimo.

Para muitos isso pode parecer papo de maluco. A esses, a única coisa que eu tenho a dizer é: continue sua busca, você está no caminho. Para aqueles que estão entendendo a língua que eu estou falando, seja bem-vindo meu companheiro, sente-se ao meu lado e vamos juntos nos alimentar, é chegada nossa hora de essa história findar. Terminar a história do buscador e enfim, em casa chegar.

 

Se você parar para analisar a palavra, é um tanto engraçada: busca-dor. Talves buscadores nada mais são do que aqueles que aprendem pela dor. Isso me faz muito sentido. Enquanto não somos capazes de realmente reconhecer e aceitar o que já é, abraçar a realidade em sua totalidade, o que significa não resistir, deixar ir, se entregar, gozar do momento, aprenderemos pela dor.

 

Não se trata de con-formismo é exatamente o contrário, primeiro precisamos des-formar, nos livrar de tantos conceitos, pre-ceitos, ideias e crenças do que somos, do que é o outro, do que é certo e do que é errado. Bom, isso sim, posso dizer que exige um esforço ou, no mínimo, uma boa disposição. Revirar nossas crenças é des-contruir nosso ego, aquilo que acreditamos ser, nossa noção do que é a realidade. Isso não é necessariamente prazeroso, as vezes doi e doi muito, quanto mais enraizadas estiverem as identificações.

 

Mas, chega um ponto que, pela graça divina, acessamos a eterna sabedoria, os ensimanentos que vão nos apontar diretamente para aquilo que somos, livres de dogmas e suposições, livres de achismos e religiões, livres de arrogância e preocupações. Podemos, então, descansar, nesse espaço silencioso que ninguém pode nos tirar, nesse reconhecimento da infinitude do presente. Tudo o que existe, é o presente. Todo o resto, uma ilusão. Apenas uma verdade, só há uma busca e essa é encontrar a essência da existência, a simplicidade do simplesmente ser.

Quando já não há mais demandas, pre-requisitos, condições e esquisitos, nos reconhecemos iguais, moradores de um mesmo solo, protegidos por um mesmo teto céu. As diferenças passam a ser enfeites desse grande corpo cósmico que é o universo.

 

Tão diversos e tão únicos, como todos nós poder ser?

Infinita completude de um mesmo re-conhecer.

O amor a brotar nesse belo re-cordar.

Oh esperança, do coração a minha criança,

pureza, leveza e nossa amiga, a gentileza

São todas consequências desse vivo re-cordar

Com aceitação, com prontidão essa Terra coroar

Como nosso templo sagrado, todos os sinos a vibrar.

 

Com amor e satisfação,

Jaya Devi

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