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Relato da minha experiência no Retiro de 10 dias de Silêncio no Awaked Life Project: a emergência de um despertar coletivo

September 3, 2017

Quando vamos a um retiro espiritual, quase sempre levamos as nossas intenções pessoais, que podem ser desde se livrar de um problema, uma dor ou um hábito, até alcançar a paz e felicidade plenas ou realizar minha verdadeira essência, viver plenamente meus potenciais, ser um agente a serviço da luz e do amor nesse planeta, etc, etc. 


Pois eu lhes digo, qualquer intenção que eu poderia imaginar para esse retiro ficaria muito aquém do que o que aconteceu aqui. Pela primeira vez em minha vida eu pude vislumbrar o que é possível quando o despertar para a realidade que somos deixa de ser apenas uma busca pessoal e passa a ser algo coletivamente sentido e experimentado. O que é possível quando várias pessoas juntas são instigadas a, primeiramente, reconhecerem a dimensão mais profunda daquilo que somos. Ou seja, primeiramente reconhecerem a dimensão impessoal da existência e descansarem nessa dimensão, nesse ser ninguém e não saber nada. A partir desse descanso, realizar que a separação e a limitação são uma ilusão. E, o que é mais novo para mim, o que é possível quando essas pessoas, juntas, são instigadas à, a partir da profundidade dessa realização, permitirem o fluxo do impulso criativo e investigativo através da comunicação consciente. 


Em outras palavras, fomos instigados a experimentar um pouco do que pode surgir quando nos comunicamos e nos relacionamos a partir dessa dimensão mais profunda que somos e da realização de que a separação e a limitação não são reais.
Estou aqui na desafiadora tarefa de traduzir para um relato essa profunda e indescritível experiência nesse retiro. O que aconteceu aqui, na verdade, foi muito além do que qualquer experiência, foi algo vividamente transformador e revelador para todos nós. Mas, para mim, posso dizer que foi a experiência mais nítida e consistente de reconhecimento do ser impessoal e da maravilha que é a manifestação única desse Ser através de cada indivíduo.


Nos primeiros cinco dias do retiro passávamos longas horas sentados em meditação. A meditação é a prática fundamental de toda a criação do Awakened Life Project. No restante do tempo, além das refeições e descanso, tínhamos uma prática corporal e uma sessão de perguntas e respostas com os professores Peter Bampton e Cynthia Bampton. Para a prática corporal podíamos optar por Yoga, Qi Gong, movimento espontâneo, ou você também podia fazer a sua prática própria individual, se preferisse. Foram práticas que muito auxiliaram a trazer para o corpo a expressão dessa dimensão espiritual que cada um estava realizando. As sessões de perguntas e respostas, por sua vez, eram fundamentais para o alinhamento de nossas mentes a essa dimensão. 


Em suas respostas, Peter e Cynthia sempre partem da compreensão não-dual,ou seja, da realização de que nós e o que quer que possamos experimentar, perceber ou conhecer não são separados. Tudo isso está surgindo dentro da consciência/presença/ser que somos. Portanto, a dimensão mais profunda do que somos é primordial e inafetada por toda e qualquer manifestação. 
O mais interessante é que a forma vívida e fresca com a qual eles interagem com cada questão apresentada, nos mostra que essa realização não é fixa e estática, ela está em constante renovação e co-criação quando estamos realmente aberto ao mistério que é a vida. O que, em termos práticos, significa estar mais interessado na expressão e revelação daquilo que eu não sei do que na minha expressão pessoal daquilo que eu acredito que eu já sei. Isso significa literalmente, deixar de lado a fundamental tendência do ego de querer se sentir especial de alguma forma, nesse caso, verbalizando o quanto eu sei. 


Assim, em cada sessão havia esse convite e abertura para que algo novo surgisse, mesmo que as perguntas fossem as mais corriqueiras. Muitas vezes instigando-se que as “respostas” fossem, na verdade, reflexões da própria pessoa que estava a perguntar. A percepção dessa dimensão atemporal e eterna que somos foi se tornando cada vez mais tangível.


No quinto dia, fomos convidados a fazer um passeio no qual nós parávamos na frente de vários espelhos para contemplar a nossa face. Junto ao espelho haviam uma sugestão ou perguntas de reflexão.


Na manhã do sexto dia, após a meditação matinal, fizemos um processo de contato pelo olhar - É importante dizer que até então, fomos instruídos a não procurar contato visual com as outras pessoa -. Ali ficou a nítida realização de que contemplar o olhar de outra pessoa é a mesma sensação de contemplar o meu próprio olhar. Ali caiu por terra mais uma vez a noção de que existe qualquer separação. Por mais que cada olhar seja único e diferente, a luz que anima a cada um deles é a mesma. 
A partir do sexto dia iniciamos um processo de comunicação chamada “Comunicação Desperta”. Nesse processo, nos foram dadas as guias ou orientações que eram muito simples mais profundas e eficientes para “manter o ego fora da conversa”. Para explicar o que isso significa, é fundamental dizer que depois desses cinco dias descansando mais e mais profundamente nessa dimensão atemporal, nos foi apresentada uma minuciosa e clara explicação sobre o ego. Pois é mais do que fundamental questionarmos: “se somos essa dimensão intocada pelo tempo e pelo espaço, porque, então, nos sentimos separados e, assim, causamos e experimentam

 

os tanto sofrimento?” 


Colocando a explicação em miúdos, é simples assim: o ego não é uma entidade ou uma estrutura sólida e estática a qual condiciona o nosso ser real. Na verdade, o ego é uma atividade/um hábito ou um movimento que está constantemente afirmando que a separação e a limitação são reais. Essa perspectiva faz toda a diferença porque, enquanto eu achar que o ego é algo diferente e separado do meu ser real e que ele se sobrepõem ou suprime o ser real, há a estagnação na própria rede do ego afirmando que a separação e a limitação são reais. E ai, tendemos a nos colocar como vítimas que não temos nunhum poder para superar essa forte e poderosa estrutura/entidade que é o ego. Por outro lado, quando eu começo a entender que o ego é um movimento e que, assim como qualquer outro movimento, ele surge e se vai, eu entendo que a causa de todos os problemas está no apego ao hábito de me agarrar ou identificar com esse movimento não deixando-o ir. No fundo esse apego é o apego de “ser alguém”, ou de querer se destacar pela crença de que a separação é real. Em outras palavras, estar “perdido no ego” não é nada mais do que o hábito de se identificar com os pensamentos que surgem constantemente afirmando que a separação e a limitação são reais. Quando entendemos que o ego se afirma a partir de uma atividade ou de um hábito, somos capazes de nos responsabilizarmos pelas nossas atitudes e, podemos assim, largar a posição de vítimas do ego. 


A teoria é muito simples, na prática as coisas se complexificam mais. Então, é essa complexidade que fomos convidados a olhar conscientemente durante as sessões de Comunicação Desperta. Pois, é muitas vezes na comunicação que o sego se apresenta.
E aqui reside a beleza peculiar desse retiro. Muito bom, muito bem disciplinarmos nosso corpo e nossa mente a ficarem quietinhos, em silêncio, sem se agitarem com os movimentos que vem e que vão. Mas, esse projeto não se propõem a ser um lugar de treinamento para monges e sim para pessoas que estão engajadas nas atividades mundanas. Então, nada mais fundamental do que um estudo prático de como o nosso ego se manifesta quando nos comunicamos. Nesse sentido, eu diria que as regras ou guias da Comunicação Desperta, na verdade, nem são para “manter o ego fora da conversa”, mas, são ancoras que nos ajudam a perceber quando o barco está navegando solto à maré das imposições egóicas.


Aqui, realmente me faltam palavras para descrever o que vivenciamos juntos. A melhor descrição que consigo apresentar no momento é a imersão em um laboratório cuja experimentação era como emergir o desconhecido. Quão mais mergulhados estávamos nessa experimentação, evidenciava-se a vulnerabilidade daquilo que eu acreditava saber, a clareza de que estar em relação verdadeira é, em cada conversa, deixar em suspenso todas as ideias pré-concebidas. Evidenciava-se a nitidez de que enquanto uma só pessoa estivesse presa nesse senso de limitação e separação, o barco não navegava. Tonava-se proeminente a clara sensação de que o infinito era o nosso teto quando pulsamos no reconhecimento de que havia ali entre nós nada mais do que uma única faísca criativa e de que a voz de cada um era fundamental para alimentar ou ofuscar essa faísca. 


Aqui me desmancho em gratidão e me faltam as palavras, pois a minha compreensão já não alcança o que aconteceu. Termino com uma prece de louvor a esse infinito universo, ao Todo, ao Ser eterno e impessoal que por graça e impulso criativo se manifesta como Vida em mim e em tudo o que existe. Agradeço e dou graças a esse mistério que é viver e a esse poder que é Despertar para essa realidade eterna de onde todos viemos. Que as bênçãos desse infinito mistério nos inspire para que estejamos plenos no serviço à co-criação do próximo passo evolutivo da humanidade. Agradeço de corpo e alma à esses incríveis professores, Cynthia Bampton e Peter Bampton que, em sua plena dedicação à Viver uma Vida Desperta, têm transformado e inspirado a vida de tantas pessoas! Amo vocês!

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