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A Mística Erótica ou a Liberação Consciente de Eros

January 23, 2018

 

Todos viemos do sexo e isso ninguém pode negar. Enquanto tivermos vergonha da nossa sexualidade teremos vergonha de existir, ir para fora, expressar quem somos.

Na visão mística do Tantra, tudo o que existe é uma relação sexual entre aquilo que podemos chamar de observador e o observado. Ou, em outras palavras, entre a consciência e seus objetos de percepção (através dos 5 sentidos e da mente). Até que, na plena consciência não-dual da realidade, realizá-se que, na verdade, não há separação entre a observação e o observado. Como a física quântica irá comprovar com a teoria da relatividade milhares de anos depois do advento do Tantra e de tantas outras filosofias místicas que falam a mesma coisa.

Esse é o ponto final e inicial ou o ponto original de Eros. Ou seja, a força erotica, que é essa força atrativa do belo que seduz ao envolvimento, é a atração natural entre a consciência e seus objetos dos sentidos. É a força que leva à busca por essa integração na qual o senso de separação é finalmente dissolvido. 
Podemos assim dizer que o propósito de toda relação erótica é dissolver o senso de separação entre objeto e observador, entre amante e amado. 


Porque isso não acontece com natureza e graça? 
Sem achar que exista uma resposta fácil para essa questão, pontuo o que me parece o mais fundamental: porque não temos uma cultura que apoie a expressão erótica consciente.

Voltemos à história da civilização ocidental.


Lá na Grécia antiga Eros era devidamente cultuado. Aliás, foi de lá que surgiu esse nome, dando personificação à essa força atrativa e sedutora do belo. Eros era o Deus original do Amor. Esse culto se estendeu ao período do Império romano também. Porém, à medida que os prazeres da carne foram se afastando das virtudes do Espírito, o poder de Eros foi se denegrindo. À medida que o lugar fundamental da contemplação, da sensibilidade e da filosofia (amor ao saber) foi dando lugar à busca pela conquista e imposição pela força física e pelo saber puramente racional, à dominação pela virilidade, à brutalidade e à guerra, o objetivo final de Eros foi como que relegado e esquecido. 


Entra, então, a Idade Média com toda a condenação do corpo e a ideia do pecado original. E Eros se torna uma força maligna e demoníaca que deve ser evitada a todo custo.

Passados todos esses milênios de história de lá até aqui, ainda não conseguimos, de fato, restabelecer uma cultura que realmente coloque Eros no seu lugar apropriado. Sim, de certa forma, Eros foi liberado da prisão da absoluta condenação com a revolução sexual e com o feminismo iniciados nos anos 60, mas, é óbvio que ele ainda padece da nossa inconsciência sobre o seu devido lugar. 


Vem aqui a fala de Sabine Lichtenfels, fundadora da comunidade de Tamera que diz: seguir os sentimentos eróticos sem o vaso apropriado, pode criar muitos problemas. E, é preciso muita preparação para, de fato, libertar Eros.

O que seria esse vaso apropriado? 
Também sem achar que existe uma resposta fácil para essa questão, mas, recorrendo-me à mística do Tantra, me parece que esse vaso apropriado é a volta à origem. Ou seja, o devido cultivo da sensibilidade, da contemplação e do amor pelo saber que nos leva de volta à fonte da nossa consciência, à fonte da própria energia erótica. 


Ou seja, Eros não pode ser devidamente liberado enquanto não houver uma cultura que valorize mais o co-sentir ao invés do impor, a contemplação ao invés da ação racional, o questionar ao invés das certezas dadas, o amor pelo saber ao invés do amor pelo ter. Eros precisa de uma revolução cultural para ser devidamente liberado em toda sua potência de revelar o Ser a partir do êxtase.

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