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Qual a Relação entre o Desenvolvimento do Ciclo Menstrual e da Sexualidade Feminina com a Evolução da Cultura Humana? ou Porque a Cultura Patriarcal Subjuga o Sangue Menstrual?

September 26, 2018

 

 

Há milhares de anos o sangue menstrual é visto como algo sujo em diversas culturas e religiões patriarcais ou, pelo menos, algo indesejável, na civilização moderna. Mas, não foi sempre assim. Os estudos da pesquisadora Barbara Mor dentre muitas outras pesquisadoras de culturas matrifocais, nos falam como, nas origens da cultura humana, o sangue menstrual era honrado e as mulheres no seu período menstrual eram veneradas pelo poder de receberem mensagens diretamente da Grande Deusa. Pode até parecer uma questão simplesmente mística, mas, segundo Barbara não é bem assim. A pesquisadora traz uma visão sociológica muito interessante sobre como o desenvolvimento do ciclo menstrual está diretamente relacionado com a evolução das relações e da cultura humana.

 

Diferentemente das outras fêmeas (com exceção de alguns primatas) que possuem o ciclo estral, o ciclo menstrual possibilitou à mulher dissociar a sua sexualidade da reprodução. Ou seja, as fêmeas que possuem ciclo estral só permitem a aproximação dos machos durante o cio, já nós, fêmeas humanas, e algumas outras espécies de primatas, somos aptas a ter sexo em qualquer período do nosso ciclo e, portanto, somos muito mais solicitas à presença dos machos e, diga-se de passagem, mais amistosas com as outras fêmeas também, pois há muitas indicações que somos, primordialmente, seres bi-sexuais. Mas, esse é um outro assunto. O fato inquestionável é que, o ciclo menstrual, juntamente com o desenvolvimento do clitóris, dá às mulheres grande capacidade de se engajar sexualmente e sentir prazer. Sentindo mais prazer, nos tornamos seres mais sociáveis e dóceis.

 

O que isso tem haver com a evolução da cultura humana? Parece que tem tudo haver: mais sexo, mais interação. Da interação nasce o afeto, do afeto há a complexificação do relacionar-se, e com isso, há um maior desenvolvimento da capacidade emocional e do senso de coletividade e, posteriormente, também do senso de individualidade. Assim, é muito plausível dizer que a dissociação do sexo com a reprodução, seguido do maior engajamento e capacidade de sentir prazer sexual das mulheres é a razão fundamental da criação de maiores vínculos sociais, estimulando processos comunais mais criativos e complexos. Muito interessante pensar como o sangue menstrual tem relação direta com o desenvolvimento da sexualidade feminina e esse, por sua vez, está diretamente relacionado com a evolução da espécie.

 

Voltando à questão da cultura patriarcal. Na visão de Barbara, os valores e visão de mundo patriarcais vão na contra-mão da evolução biológica (não é à toa que as religiões patriarcais são contrárias à teoria da evolução), condenando o sangue menstrual e a sexualidade como sujos e/ou indesejáveis. Por detrás disso há a necessidade de dominar a natureza e sua ciclicidade, de controlar os instintos e toda a sabedoria do desenvolvimento da vida à favor dos interesses egoístas do homem. Por detrás disso há muito medo desse mistério incontrolável que é a vida.

 

A perspectiva que faz sentido para mim é que o patriarcado tem lá sua razão de ser, fazendo parte desse processo de evolução. Podemos dizer que ele é uma consequência natural dessa complexificação das relações e do senso de coletividade que, por sua vez, se desdobrou no senso de individualidade. A origem do patriarcado vem exatamente da noção de posse, da exacerbação do “meu” em contraposição ao “nosso”. Do uso da força, da violência, da guerra e de outras formas de dominação para defender o território. Espero e desejo que é chegada a hora de darmos mais um passo nesse espiral da evolução. Que, com toda a história e suas cicatrizes e toda a tecnologia que temos hoje, possamos voltar a celebrar a vida, nosso sangue e sexualidade com ainda mais veneração e consciência. Que possamos novamente nos prostrar diante do mistério que é a vida e vivenciar a sacralidade da sexualidade como esse instrumento divino de conexão e de criação de empatia, de senso de pertencimento, de consciência da coletividade e do amor que nos faz existir!

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