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Resgatando a Sexualidade Sagrada

February 12, 2019

Ísis, Ishtar, Afrodite, Astarte, Vênus, Inana, Cibele, Oxum, Jaci.... em diversas culturas ancestrais, de norte a sul, de leste a oeste, cultuava-se a Deusa do Amor em uma forma feminina. Ela é sempre bela, seu corpo apresenta curvas acentuadas. Ela não é apenas cheia de fertilidade, mas também, cheia de paixão e sensualidade. Ela é o símbolo da sexualidade que era vista como o desfrute divino no corpo humano. O seu culto trazia a alegria de viver, induzia a criatividade, a vitalidade e o êxtase!

 

Nesses tempos, os homens se dirigiam aos templos da Deusa do amor para serem iniciados nas artes da sexualidade e para serem acolhidos nos braços das prostitutas sagradas, sacerdotisas, que como qualquer outra mulher comum, servia à Deusa. É óbvio que é um cenário muito diferente das igrejas e da maioria dos templos de hoje em dia, no qual o homem vai para buscar por uma salvação pós vida. Nos templos da Deusa do amor, homens e mulheres se entregavam ao prazer como quem se entrega ao próprio mistério da Vida. E recebiam o acalento para seus corações e corpos muitas vezes fadigados pela lida dos afazeres diários. Tudo isso era feito como uma adoração, um culto à Deusa, cuja beleza, paixão e beatitude inspiravam a vida dos homens e era representada no próprio corpo da prostituta sagrada. A ato sexual e o desfrute sensual eram a hóstia, o corpo vivo da Deusa que era consagrado! Não é de se assustar que na religião patriarcal se consagra a representação do corpo morto de Cristo!

 

Pois então, quando foi que a Deusa do Amor deixou de ser cultuada? Isso é claro, foi com o advento dos valores, cultura e religiões patriarcais. Há milhares de anos, quando o homem começou a dominar os campos, os pastos, a natureza e a Terra com a sua força física e mental. Quando surgiu o senso de posse e de hereditariedade masculina. Foi desde então, que a fertilidade da mulher deixou de ser cultuada para ser controlada e, consequentemente, o seu belo corpo, sua sensualidade e sexualidade, ora adoradas, passaram a ser condenadas. Esse é o princípio da religião patriarcal, o corpo é imundo e os seus prazeres devem ser evitados a todo custo pois são tentações que nos levam ao inferno. E, assim, de fato, temos vivido por milhares de anos. O corpo e seus prazeres são abominados, causando tanta dor e sofrimento, aumentando o senso de separação e dualidade entre sagrado e profano, corpo e espírito, entre homens e mulheres, entre natural e humano, entre instinto e razão, e, portanto, perpetuando a dominação, a guerra, o ódio.

 

Toda essa história já é sabida de muito tempo! Mas, o quanto realmente percebemos em nossa vida atual, moderna, como mulheres e homens, quais são as consequências dessa condenação da sexualidade e da sensualidade e, mais especialmente, do corpo da mulher?

O quanto que nós, mulheres, somos capazes de olhar para esse corpo e reconhecê-lo como um templo à serviço da Deusa do Amor, à serviço da manifestação do prazer, da beleza e da vitalidade? Para criar mais abundância, mais amor, mais prosperidade nas nossas relações e no mundo? Ou o quanto ainda utilizamos nosso corpo, sensualidade e poder de sedução para servir aos nossos desejos egoicos?

 

Dai alguém pode me perguntar: mas, como assim, Jaya? Me explica melhor essa história de usar a sexualidade para servir os meus desejos egoicos! Aqui é fundamental entendermos minimamente o que é o ego. Há muito o que se pode falar sobre isso, muito mesmo, mas, o mais sucintamente possível, eu defino o ego como o senso de que a separação e, portanto, a limitação são reais! Como assim? Nós sentimos e realmente acreditamos que somos um indivíduo limitado a um corpo-mente, certo? Esse é o senso comum! E, o que todo caminho espiritual autêntico nos aponta é para o reconhecimento de que isso não é verdade. Que o que somos não está limitado a esse corpo-mente. Que, na verdade, esse corpo-mente estão acontecendo, ou são experimentados, dentro da existência/Consciência/Ser/Vida Eterna, presença que tudo É, que Eu Sou!

 

Então, quanto mais o meu senso de “Eu” estiver preso aos limites desse corpo-mente, mais eu terei que empreender uma árdua luta para sobreviver tendo que lidar com todas as limitações desse corpo-mente que, no final das contas, está fadado à morrer! Daí vem o senso de que eu não sou o suficiente, de que eu preciso sempre de algo mais para me completar, o que gera carências, dependências, medos e neuroses que são sempre acumulativos.

 

Então, a sexualidade egoica serve como um mecanismo de fuga do ego para cobrir nossas carências, dependências, necessidade de aprovação, etc. sem realmente chegar à causa dessas questões que é o senso de separação e limitação.

 

Vou citar alguns exemplos para ficar mais claro. Por exemplo, as mulheres que estão em uma relação monogâmica. O que define uma relação como monogâmica é o fato dela fazer sexo apenas com o seu companheiro, certo? Nesse caso, a sua sexualidade está sendo utilizada para o prazer com o seu companheiro ou meu marido. Ótimo! Se for realmente uma expressão de amor e uma celebração da união ou do encontro entre vocês! E, muitíssimo fundamental, se for consensual, ou seja, se ambos querem, então, maravilha! Agora, se fazemos sexo porque achamos que temos que fazer, porque achamos que é nossa obrigação dentro da relação, sem perceber que, por detrás desse achar, quase sempre tem um medo do outro me abandonar, não querer mais ficar comigo, etc, aí eu diria que a sua sexualidade já está servido ao ego. A sexualidade não deve servir para tapar nossos medos. Se eu percebo esse medo em mim, ok, não quer dizer que eu sou uma pessoa ruim! Todos temos ego, todos olhamos para o mundo – em maior ou menor medida – buscando pela sobrevivência a partir desse falso senso de separação e limitação. Mas, é importante que eu acolha esse medo, o escute, olhe para ele e lide com ele sendo capaz de reconhecer até que ponto ele é realmente verdade ou apenas uma criação mental. Se eu tento apenas abafá-lo com o sexo, eu não consigo realmente me libertar dele, eu crio mais aprisionamento. Faz sentido?

 

Outro exemplo: é muito comum, mulheres e homens, - ou seja, nós! - utilizarmos da sexualidade e do poder de sedução para afirmar ou provar o nosso valor. De novo, é ego! É claro que é ego, gente, nosso valor é intrínseco ao Ser, nós já somos especiais pelo simples fato de existirmos. Se não somos capazes de reconhecer isso, eu realmente recomendo que não utilizemos a sexualidade para buscar por uma aprovação. Isso é uma das maiores causas de dor e sofrimento. Eu acredito que existem formas da sexualidade servir como uma medicina, eu já vi isso acontecer, comigo mesma, mas, para que isso aconteça, a sexualidade teria que ser praticada com ou sob a supervisão de alguém experiente no assunto e, não apenas experiente, mas, o mais importante, alguém que, pelo menos nessa situação, não entre nessa tendência egoica de engrandecer seu próprio “falso poder pessoal” para lhe ajudar. E, como isso é muito delicado, talvez o melhor mesmo é buscar formas diversas de encontrarmos e sentirmos o nosso valor não apenas pessoal, mas, como ser!

 

Outro exemplo da sexualidade servir ao ego é: muitas vezes deixamos de expressar a nossa sexualidade por medo porque estamos presos em valores morais que não correspondem à nossa natureza. Por exemplo, eu sinto uma super atração por uma pessoa que eu acabei de conhecer, mas, consciente ou inconscientemente eu tenho a crença de que é errado ir assim, direto para a cama. Daí fico fazendo joguinho não sendo autêntico com meu desejo, comigo mesmo e com o outro. Criatura de Deus, se for consensual, se a outra pessoa também quer, porque não? Claro, cuidado em saber o suficiente sobre algumas questões fundamentais antes de ir para a cama com alguém. Então aqui vai uma mini-aula prática sobre o que você deve conversar antes de ir para a cama com alguém. Afinal sexo sagrado é sexo consciente. Vocês devem conversar sobre cinco questões fundamentais:

 

1) Relacionamentos: explicitar se vocês estão em algum relacionamento com outra(s) pessoas. Se sim, quais são os acordos e como acreditam que essas pessoas se sentiriam afetadas pelo o envolvimento que vocês estão para ter nesse momento.

 

2) Limites: se vocês tem qualquer limite quanto à essa experiência. Talvez a penetração seja um limite, talvez seja penetração só com camisinha. Talvez seja algum tipo de estímulo mais intenso ou em toque em alguma parte do corpo.

 

3) Desejos: essa é a parte gostosa! Falar sobre quais desejos vocês têm! Se tem algo específico que vocês gostariam de vivenciar!

 

4) Segurança: saber sobre qual foi a última vez que fizeram exames das DST`s e, desde então, se tiveram alguma relação sexual de risco.

 

5) Significado: o que significa esse encontro para cada um de vocês? Quais sentimentos ele desperta e se há alguma expectativa pós encontro? Por exemplo, talvez você queira que a pessoa te ligue no dia seguinte para saber como você está. Talvez você quer exatamente o oposto, que vocês não tenham a obrigação de ter qualquer contato pós esse encontro.

 

Finalizo essa explanação dizendo que sexualidade sagrada tem tudo o ver com auto-conhecimento. Sexualidade sagrada é expressão do auto-conhecimento e é uma celebração da graça, da beleza, da dádiva que é estar vivo! Sexualidade sagrada é sexo feito com consciência, com consensualidade, com respeito aos seus sentimentos e limites e também das outras pessoas envolvidas. Sexualidade sagrada é uma expressão natural do ser que encontra e descobre a si mesmo na forma, no corpo, nos sentidos para além de todo senso de separação e limitação!

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