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O que é a Terapia Tântrica

May 31, 2019

 

 

Quando falamos de terapia tântrica, o que normalmente vem na cabeça da maioria das pessoas é uma prática de massagem que inclua toque no genital, certo? Eu também suponho que, apesar dessa ser a noção predominante, muitas pessoas imaginam que o Tantra não se resume a isso, certo?O Tantra é uma filosofia espiritual que surgiu na Índia, por volta do século VI. Seu propósito, que é Moksha, ou liberação espiritual, vai muito além de ser uma terapia e as suas práticas vão muito além de práticas sexuais. Diga-se de passagem, segundo um dos nossos professores de Tantra, Christopher Wallis, apenas 1% de todas as escrituras tântricas falam algo sobre sexo. E, nesse 1% , não se fala absolutamente nada sobre massagem, nem tão pouco massagem genital. Podemos assim entender que o que é chamado de Terapia Tântrica tem, de fato, pouca ou nenhuma fundamentação no Tantra.

 

 

Qual a relação entre o Tantra e a Terapia Tântrica?

 

A aproximação que podemos ver entre as práticas da terapia tântrica e do Tantra é a visão do corpo como um mapa do universo e a noção de não separação entre corpo e mente, corpo e energia, matéria e espírito, imanência e transcendência. É a partir dessa visão não-dual que uma prática corporal pode se tornar uma prática espiritual. Seja o sexo, seja o comer, o tocar, o movimentar, caminhar, dançar, etc. podem ser uma prática espiritual quando são experimentados com a devida consciência e sensibilidade ao invés de um mero fazer mecânico e automático.

 

Portanto, faz todo o sentido dizer que o que define uma prática como terapia tântrica é muito mais a consciência com a qual ela é realizada do que o que se faz. O propósito com o qual a prática é realizada é fundamental. Se o único propósito é a maximização do prazer, trata-se se algo muito distante do propósito original do Tantra, que é a liberação espiritual. Assim sendo, eu não definiria a terapia tântrica como uma massagem genital e sim como práticas terapêuticas que despertam a consciência da relação entre energia vital e sexual, favoreçam uma sexualidade mais plena/consciente e, assim, lhe ajudam a re-conhecer a sua conexão com a fonte infinita de vida, prazer, criatividade e vitalidade.

 

 

As diversas metodologias de Terapia Tântrica

 

Aqui é importante mencionar que existem inúmeros métodos de terapia tântrica. E que muito do que é oferecido trata-se apenas de um serviço sexual – quase sempre uma massagem genital, mas, às vezes pode envolver outras práticas sexuais – sem um cunho realmente terapêutico e sem um ancoramento ou um aprofundamento no propósito do Tantra.

Eu considero que uma abordagem pode ser chamada de terapia tântrica se ela integra em si os propósitos de ser uma terapia corporal e uma prática espiritual. Enquanto terapia corporal, é fundamental que o terapeuta tântrico se apoie em práticas e estudos de terapias corporais tais como a bioenergética e a sexologia somática para propor um processo de educação sexual somática que ajude a pessoa a entender mais sobre o funcionamento da sua sexualidade e lhe proporcione experiências de ampliação da capacidade de conectar com o corpo e sentir prazer, não apenas sexual, mas, todas as formas de prazer sensorial. Essa seria uma parte do processo. E, para muitas pessoas isso já é o suficiente, pois é isso o que elas estão buscando: sentir mais prazer, ter relações sexuais mais satisfatórias, etc.

 

 

O prazer como portal para a transcendência 

 

Porém, para quem quer dar um passo além, a terapia tântrica deve ajudar a pessoa em seu processo de despertar espiritual. A partir dos estudos e práticas do Tantra, pode ir se abrindo a percepção de que o prazer sensorial, especialmente os mais intensos, é um portal para a transcendência espiritual. O que significa isso? Significa sermos capazes de estar presente com a intensidade da experiência, sejam as emoções ou as sensações corporais experimentadas, sem gerar uma resistência à essa intensidade, sem bloquear o livre fluxo da energia. E o que nos faz bloquear o fluxo da energia? A nossa identificação ou apego às histórias que nossa mente diz sobre nós mesmos e sobre o que estamos experimentando. Em outras palavras é a aversão ou o apego à experiência, os quais se apresentam em forma de pensamentos e crenças de que nós não deveríamos estar experimentando aquilo ou de que essa experiência não deveria acabar nunca. É interessante notar que nós não resistimos apenas às sensações e emoções consideradas desagradáveis. Muitas vezes, devido aos tabus relacionados ao prazer sensorial, carregamos muitas crenças relacionadas à noção do prazer como algo ruim ou perigoso, algo que deve ser evitado. 

 

A única forma de não ficarmos presos nesses pensamentos e crenças é  focar a atenção no corpo e deixar o corpo fazer o que precisa para liberar, no nível somático, o que nos impede de sentir. Aqui é fundamental o cultivo da atenção, a capacidade de perceber para onde a minha atenção vai, isso é meditação.

 

 

Tantra é um caminho de meditação

 

O Tantra é essencialmente um caminho de meditação, a terapia tântrica não deveria ser diferente. Nas práticas de meditação do Tantra, foca-se a atenção na respiração, na visualização/imaginação intencional, no som ou no movimento. Da mesma forma, na terapia tântrica, é fundamental o cultivo da atenção nas sensações do corpo e a utilização da respiração, do som, do movimento e da visualização/intenção para deixar o nosso corpo liberar o que precisa ser liberado e entrar mais profundamente no livre fluxo das sensações. Quanto mais adentramos na experiência, mais somos capazes de sentir e nos abrir para aquilo que somos para além dos conceitos da nossa mente. Então, não se trata de aumentar o estímulo para se sentir mais, trata-se, de aumentar a percepção do estímulo.

 

Um grande reducionismo de muitas terapias tântricas é colocar uma grande ênfase no aumento do estímulo, muitas vezes com o uso de vibradores. Isso pode ser interessante para que a pessoa experimente variadas formas de prazer, podendo ter o seu lugar no processo terapêutico. Mas, essa é uma abordagem que tem que ser usada com cautela e sabedoria, pois pode gerar um vício na busca por estímulos cada vez mais intensos. Desconfie da ideia de que um vibrador vá aumentar a sensibilidade do seu genital. Como isso poderia acontecer com algo que produz uma vibração mecânica, padronizada e intensa focada na parte mais sensível de todo o corpo humano que é o clitóris? O seu corpo pode facilmente se viciar nesse tipo de vibração e perder a sensibilidade para outras formas de estímulo.

 

Enquanto um processo de meditação, de libertação espiritual, de ampliação da sensibilidade do corpo e da percepção de si, é fundamental que o método de terapia tântrica, volte-se para o cultivo de estímulos e percepções mais sutis, para a capacidade de focar a atenção nos mínimos detalhes do toque e no que os estímulos geram enquanto pensamentos e emoções.

 

Resumidamente, a terapia tântrica deve ser um processo de sacralização da sexualidade, ou seja, deve propor vivências, conhecimentos e práticas que ampliem a percepção da sexualidade como um portal para os estados mais sublimes da consciência humana. A terapia tântrica deve ser um processo que favoreça a vivência do sexo como uma prática de meditação, que amplie o estado de contemplação na percepção das sensações, que amplie a sensibilidade e assim, sendo, que amplie a nossa capacidade de amar e estar presente com o que se apresenta.

 

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